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Em meio a um aguaceiro, um membro da equipe se prepara para uma cena in loco em Buenos Aires de Lluvia. Foto cortesia de John Harris. |
Paula Hernández é uma diretora argentina cujo filme anterior, Herencia (Herança), foi aclamado em 20 festivais de cinema. Durante os extensos preparativos para o filme Lluvia (Chuva), escreveu e reescreveu o roteiro, tirou centenas de fotos e procurou o diretor de fotografia adequado. Finalmente escolheu Guillermo Nieto.
Devido ao fato de que a maior parte da história ocorre no interior de um automóvel, Hernández passou muitas horas dentro de um carro, tirando fotos e buscando inspiração. Os personagens estão um tanto perdidos e desorientados dentro de suas vidas. A chuva, a neblina e as janelas embaçadas de vapor se tornam metáforas visuais por sua inabilidade para ver o caminho para a frente, enquanto arrastam o público na busca de clareza e significado.
“Para mim, o processo de escrever o roteiro e tirar as fotografias estava relacionado”, comenta Hernández. “Não queria contar com chuva como um elemento romântico. Queria que a chuva e o clima fossem opressivos. Os personagens não têm casa. Ela vive em seu carro e ele é um total entranho que consegue entrar um dia escapando da chuva”.
Hernández e Nieto empregaram dois anos desenvolvendo a linguagem visual que usariam para contar a história. Às vezes experimentavam com diferentes técnicas de comerciais de televisão. Também estudaram o trabalho de Bill Jacobson e Uta Barth, fotógrafos que usaram imagens escuras e fora de foco para comunicar uma sensação de mistério e perda.
Escolheram filmar em formato de filme de 35mm em uma relação de aspecto de 1.85:1. “As imagens que obtivemos com filme de 35mm estavam mais conectadas com o que estes personagens sentiam”, comenta Hernández.
“Decidimos que o filme de 35mm era o que melhor podia acontecer com este filme”, acrescenta Nieto. É uma história sobre duas pessoas, e a calidez do filme ajudou muito, levando as imagens ao nível adequado”.
Nieto filmou todo o longa-metragem em filme KODAK VISION2 500T 5218, usando câmeras ARRIFLEX. “Gosto de trabalhar com os practicals que existem no set, e usar menos luz possível”, menciona. “Contar com um filme de sensibilidade 500 te dá muito mais liberdade, especialmente à noite. Te dá mais espaço no qual trabalhar”.
Os baixos níveis de luz foram aumentados pela constante chuva. “Tentamos manter fundos escuros a fim de visualizar a chuva”, comenta. “Para mim é mais natural que retroiluminar a chuva ao estilo Hollywood. Também estava mais em sintonia com o sentimento e o estado anímico do filme”.
Relação de aspecto de 1.85:1 em 35mm
“É bonito como se comporta a luz quando provém através da chuva”, este comenta. “Permite certo brilho através e ao mesmo tempo se esfuma e se distorce junto com alterar o contraste ao atuar como um filtro natural”.
Os realizadores decidiram usar uma lente Tilt & Shift para afetar o foco seletivamente em alguns interiores onde o personagem masculino se refere a seu pai falecido. A cabeça dos personagens se transforma em um ponto focal a fim de transmitir seus sentimentos ao público. Adicionalmente escolheram uma cor em particular para cada personagem, trabalhando sutilmente isso no enquadramento a través da direção artística, com luz de gel nos rostos ou um salpico de cor no fundo.
Nieto ajustou a maior parte do filme através de um processo fotoquímico tradicional no Cinecolor Lab, Buenos Aires, membro credenciado do Programa KODAK IMAGECARE. Algumas tomadas amplas serão digitalizadas a fim de inserir chuva e em um único caso para remover uma proteção de segurança.
“As idéias básicas são as que normalmente terminam bem”, menciona Nieto. “Encontramos o sentido para estas idéias lentamente e nem sempre de maneira racional”.
Lluvia foi distribuído em cinemas na Argentina no começo deste ano, e Hernández espera abordar o circuito de festivais começando por San Sebastián. |