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Em uma cena de Shikashika, o diretor de fotografia Steve Hyde captura a fonte da montanha nos Andes peruanos.
Foto de Steve Hyde. |
O curta-metragem de Steve Hyde conduz o espectador à viagem de uma família aos pés dos Andes peruanos.O objetivo de sua viagem é extrair grandes blocos de gelo, amarrá-los às mulas e trazê-los montanha abaixo. No dia seguinte um colorido e raspado gelo chamado Shikashika é preparado e vendido nos degraus de uma catedral do vale.
A idéia para nosso filme Shikashika provém de interrogações acerca da indústria do gelo desta região”, menciona Hyde. “Por que os comerciantes de gelo continuam a extraí-lo das geleiras em vez de fazê-los no congelador? Nosso filme plasma e ilumina o processo feito passo a passo de recoletar e transportar o gelo montanha abaixo”.
Hyde faz referência a seu estilo de fazer cinema como "um enfoque de documentário híbrido" devido ao fato de que foram tomadas algumas liberdades criativas e foram quebradas algumas regras de cinema de não-ficção no percurso”. Filmamos no decorrer de muitos dias, mas apresentamos a história de maneira contínua como se tivesse ocorrido dessa forma”, explica Hyde. “Também tomamos algumas decisões sobre o design do set, movendo as coisas em volta para maximizar o impacto visual. Estas técnicas criativas nos ajudaram a produzir um filme rítmico e colorido”.
Relação de 8:1
“Nosso enfoque híbrido também nos ajudou a filmar de maneira econômica. Filmamos com uma relação de 8:1. Isso manteve o projeto manejável e também nos forçou a ser cuidadosos durante a filmagem. Não podíamos simplesmente prender a câmera e esperar que algo acontecesse. Quando a câmera estava rodando, tínhamos que estar seguros de que estávamos narrando a história”.

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Duas crianças fazem fila para comprar gelo em uma cena do filme. Foto de Steve Hyde. |
Hyde produziu Shikashika em formatos Super 8 e 16mm usando câmeras Beaulieu 4008 ZM II e Bell & Howell Filmo 70-DR. Entre suas lentes escolheu uma Schneider 6-66mm e uma Angenieux de 10mm e 75mm para a câmera de 16mm.
“A maior parte do filme foi feita com lentes de 10mm devido ao fato de que oferecem um foco mais profundo e próximo e são ótimas para retratos de aproximação que mostram o entorno da montanha”, menciona Hyde. “Usei a lente de 75mm em algumas tomadas de paisagens da montanha. A Schneider foi estupenda para tomadas macro e os close up de telefoto”.
A paleta de Hyde incluiu negativos de cor KODAK VISION2 50D 7201, 250D 7205 e 200T 7217. Sentiu que a 7201 era perfeita para filmagem à grande altura sob céus brilhantes, e a 7205 para uma seqüência que foi filmada sob uma luz ao entardecer depois de uma tempestade. Para as cenas em Super 8 empregou a 7217 com um filtro luz-dia na lente. “A 7217 é ótima para Super 8 devido ao fato de que oferece uma grande latitude de exposição. Configurei o filme para uma E.I. de 100 e assim me assegurei de que nunca me subexpusesse. Realmente gosto de usar Super 8 para tomadas de aproximação em rostos devido ao fato que o grão do filme suaviza a superfície da pele sem ver-se difuso ou fora de foco. Também gosto da maneira pela qual o filme torna possível de forma simultânea conseguir uma cor vívida com tons de pele natural”.

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Vendendo Shikashika nas escadas de uma catedral. Foto de Steve Hyde. |
Super 8 e Super 16mm
Hyde queria que a cinematografia luzisse profissional e intencional. “Não estava tratando de ser nostálgico ou fantasioso ao filmar em Super 8”, comenta. “A maior parte da metragem em Super 8 foi filmada com uma câmera em um tripé, e a metragem manual é paciente e estável. Também filmei em Super 8 algumas das seqüências de extração de gelo em câmera lenta. A maior parte da metragem em 16mm foi filmada com lentes grande-angulares com grande profundidade de campo. Cheguei a este enfoque depois de fazer alguns filmes experimentais empregando estas técnicas”.
O filme foi processado em Alpha Cine Labs e transferido em Flying Spot Film Transfer em Seattle, Washington.
“O filme é um grande meio para levar o espectador a uma viagem que de outra maneira não poderia experimentar”, comenta Hyde. “Penso que os filmes podem nos ajudar a expandir a imaginação geográfica e oferecer ao espectador um conhecimento profundo da diversidade cultural e regional do mundo”.
Shikashika estreou no Festival de CinemaTrue/False no começo deste ano e atualmente está em exibição em diferentes festivais através do mundo. Encontre onde pode ver o filme em www.Shikashika.com. |